IncrívelpadrãoPromoção imobiliária
Guias para quem compra casa

Casa nova no Porto: o que significa a classe energética A+

30 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Moradia de classe energética A em Serzedo, com piscina (imagem 3D)

Nos anúncios de casas novas em Vila Nova de Gaia e no Porto aparece sempre uma letra: A, A+, por vezes B. Essa letra vem do certificado energético e diz quanta energia se prevê que a casa gaste, comparada com uma referência. Explicamos o que está por trás da classe, a diferença entre pré-certificado e certificado e o que os dados da ADENE dizem sobre poupança.

O que mede a classe energética

O certificado energético é o documento oficial do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), gerido pela ADENE. É emitido por um perito qualificado e classifica a casa numa escala de oito classes: A+, A, B, B-, C, D, E e F. A+ é a mais eficiente e F a menos eficiente.

A classe resulta de um cálculo. O perito estima o consumo anual de energia da casa para aquecimento, arrefecimento e águas quentes sanitárias, numa utilização padronizada, e compara-o com uma referência. Não mede a fatura de uma família concreta. Mede a forma como a casa foi construída e equipada.

Para ter uma ideia do parque habitacional, entre 2014 e 2023 as classes C, D e E representaram 57% das casas certificadas em Portugal. Em 2023, 41% dos certificados de habitação tinham classe B ou superior, contra cerca de 10% em 2014.

A classe é obrigatória nos anúncios

Desde 1 de dezembro de 2013, qualquer anúncio de venda ou arrendamento tem de indicar a classe energética. O regime atual é o Decreto-Lei n.º 101-D/2020, alterado em 2025 pelo Decreto-Lei n.º 11/2025. Segundo a ADENE, o anúncio deve indicar a classe que consta de um certificado válido. Numa casa ainda em construção, indica-se a classe do pré-certificado.

O certificado deve ser mostrado aos potenciais compradores e entregue no momento da escritura.

Pré-certificado e certificado: qual é a diferença

  • Pré-certificado energético (PCE): emite-se na fase de projeto e tem de anteceder a autorização de construção. Só existe para edifícios novos ou sujeitos a grande renovação. Indica a classe prevista no projeto.
  • Certificado energético (CE): emite-se depois de a obra estar concluída. Deve refletir o que foi realmente construído, incluindo as alterações feitas durante a obra.

Numa compra em planta, a classe do anúncio vem do pré-certificado. Peça o documento, não apenas a letra. Se o projeto sofrer alterações relevantes durante a obra, a classe final pode ser diferente. Por isso faz sentido que a classe energética fique escrita no CPCV e que confirme, na escritura, que o certificado final a mantém.

O que pesa para chegar a A ou A+

Não há uma solução única. A classe resulta do conjunto da casa. Nos certificados de habitação emitidos entre 2014 e 2023, 52,4% das medidas de melhoria propostas pelos peritos incidiam sobre a envolvente: paredes, coberturas, pavimentos e janelas. Numa casa nova, é também por aí que se começa.

  • Isolamento térmico pelo exterior (ETICS). É uma camada contínua de isolamento aplicada por fora das paredes e depois revestida. Reduz as perdas de calor no inverno e os ganhos no verão, e cobre as vigas e os pilares, onde se formam as pontes térmicas e costumam aparecer condensações.
  • Janelas. Vidro duplo e caixilharia com corte térmico reduzem as perdas de calor e as entradas de ar.
  • Bomba de calor. Serve para as águas quentes e, muitas vezes, para a climatização. Usa eletricidade para ir buscar calor ao ar exterior e entrega mais energia térmica do que a energia elétrica que consome.
  • Ventilação mecânica controlada (VMC). Renova o ar da casa de forma contínua. Com recuperação de calor, aproveita o calor do ar que sai para aquecer o ar que entra.
  • Energia solar. Painéis solares térmicos para as águas quentes ou fotovoltaicos para a eletricidade. A energia renovável produzida no edifício conta a favor no cálculo.

Quanto se poupa

A pergunta mais comum é quanto se poupa numa casa A+ face a uma casa C. Não encontrámos um número oficial que compare as classes diretamente, e preferimos não inventar um. O que existe são os dados da ADENE publicados no relatório Energia em Números 2024, da DGEG, da ADENE e do Observatório da Energia, sobre as melhorias propostas nos certificados de habitação:

  • Em 2023, o consumo associado às casas certificadas foi de 2 805 GWh de energia primária.
  • Se todas as medidas de melhoria propostas fossem aplicadas, o consumo descia 1 728 GWh, uma poupança de 62%.
  • O investimento médio associado às medidas propostas em 2023 foi de 8 769 euros, com uma poupança de cerca de 1 098 euros por ano e um retorno médio de 8,1 anos.

Estes valores são nominais e partem de uma climatização da casa 24 horas por dia, sete dias por semana. A poupança real depende de como cada família usa a casa. Servem para perceber a ordem de grandeza, não para prever a sua fatura.

Numa casa nova com classe elevada, boa parte destas soluções vem de origem, em vez de ficar para uma obra futura.

O que pedir ao promotor

  • O pré-certificado energético, com o número e a classe.
  • A descrição das soluções: espessura do isolamento, tipo de caixilharia, sistema de águas quentes e de ventilação.
  • A classe energética escrita no CPCV.
  • O certificado energético final, o mais tardar na escritura.

Em resumo

A classe A ou A+ diz que a casa foi projetada e construída para precisar de pouca energia para se manter confortável. Vale a pena perceber de onde vem essa letra e pedir os documentos que a provam. Se tem dúvidas sobre as soluções de uma das nossas casas em Vila Nova de Gaia ou no Porto, fale connosco.